Uma pesquisa feita pelo Serasa mostrou que o Brasil está com o maior número de pessoas com contas em atraso desde 2016 e há 8 meses registra altas consecutivas.
Isso quer dizer que cerca de 41,8% da população adulta brasileira está inadimplente, e a maior parte das pessoas com nomes negativados tem entre 26 e 40 anos.
Mas quais são as razões?
Segundo especialistas, a inflação elevada é a principal causa de todas essas dívidas. Principalmente quando se fala nos preços dos alimentos, que continua subindo e afeta principalmente os mais pobres.
Entre comer e pagar contas, logicamente o brasileiro está optando por comer.
A inflação está na casa dos dois dígitos desde agosto de 2021, e isso tem um efeito brutal na capacidade de pagamento das pessoas, pois devido ao custo de vida elevado, sobra menos dinheiro para pagar os compromissos que foram previamente assumidos, principalmente com os juros também aumentando.
Outra causa que se tem falado bastante é a queda dos salários, que foi apontada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O rendimento médio caiu 5,1% em 12 meses e o reajuste do salário ficou abaixo do INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor.
A alta da taxa básica de juros, também é citada pelos economistas, como um item que contribui para sufocar ainda mais a renda dos brasileiros.
Estamos com a taxa mais alta desde outubro de 2016 e isso contribui para que os juros dos empréstimos também fiquem altos.
Cartões de crédito e cheque especial
Bancos e instituições financeiras que oferecem cartões de crédito são os principais responsáveis pela maioria das dívidas, representando 28,6% dos credores.
O fato é que cartões de crédito e cheque especial são usados pelo brasileiro para esticar o salário. Assim é fácil ficar inadimplente, até porque 1 dia de atraso já implica em juros altos.
Em segundo lugar na lista de credores estão as contas básicas como água, luz e gás, representando 22,2% dos credores.
Em terceiro lugar está o setor de financeiras (13,7%) e em quarto o varejo, com 12,4%.
Apesar de estar na terceira posição, as dívidas com financeiras estão crescendo cada vez mais, principalmente com relação à participação nas negativações nos órgãos de proteção ao crédito.
Essas financeiras atendem pessoas que não conseguem crédito no banco mais, ou seja, as pessoas mais vulneráveis em relação à renda e emprego.
Pelo fato de terem o perfil mais arriscado, as financeiras cobram juros mais altos do que os do banco, e muitos têm contraído essa dívida, mas acabam perdendo a capacidade de pagamento de uma hora para outra.
Na divisão por região, o Estado de São Paulo lidera o número de inadimplentes, e Roraima foi o estado com menos negativados, conforme a pesquisa.
Como limpar o nome
Para ser excluído dos cadastros nos serviços de proteção ao crédito é preciso quitar ou renegociar as dívidas, e isso pode ser feito direto no estabelecimento onde você fez a compra, ou no banco onde você pegou o empréstimo ou tem o cartão de crédito.
Os juros em negociações são menores e quase sempre há possibilidade de parcelamento da dívida.
O Serasa também faz feirões, com desconto nas multas e juros e parcelamento na negociação da dívida.
Depois que é fechado o acordo de negociação, cabe a instituição pedir a exclusão do nome nos cadastros de proteção ao crédito.
É importante saber que após o vencimento de qualquer dívida, o credor pode incluir o nome do consumidor no cadastro, mas isso geralmente é feito após 30 dias de atraso ou quando as tentativas de negociação já estão esgotadas.
Você pode estar se perguntando: Ah, mas eu tenho crédito, então não posso usar? Claro que pode!
Utilizar o crédito com planejamento é fundamental. Se você definir bem os seus objetivos e lembrar-se de planejar toda a compra, sempre levando em consideração a possibilidade de surgirem imprevistos no meio do caminho, você não vai entrar em dívidas.
Em momentos de crise como o que estamos vivendo atualmente, é fundamental priorizar os gastos e gastar realmente só o que for necessário.
Tudo o que for supérfluo pode ser negociado e até substituído, pense sempre nisso.
E se você já tiver alguma dívida em andamento, o ideal é não contrair novas despesas e buscar uma negociação com o credor, para quitar essa dívida.
Provavelmente a sua dívida que está com uma taxa de juros grande pode ser substituída por outra opção de financiamento com juros mais baixos.
Empresa com dívida, o que fazer?
Se a sua empresa está completamente no vermelho e você não sabe o que fazer, a primeira atitude é não entrar em desespero nem desanimar.
Encare o problema de frente e com serenidade, e aqui vamos dar algumas dicas importantes para que você mude o rumo da sua empresa de uma vez.
1) Fluxo de caixa
Muitos empresários ignoram o fluxo de caixa, mas ele pode ser a solução de muitos empreendedores que precisam ter uma noção melhor com relação aos gastos e receitas da empresa.
Sem essa ferramenta, a empresa pode sucumbir a armadilha da conta negativa. Com o fluxo de caixa, você conseguirá projetar as finanças, e prever as entradas e saídas de dinheiro.
2) Procure as causas
Uma das maneiras de lidar com o problema é descobrir o que está causando-o.
Por isso é importante ter um controle bem organizado com todas as informações do seu negócio, pois isso vai te ajudar a identificar onde está sendo gasto muito dinheiro ou se não está vendendo o necessário, por exemplo.
Para sair de qualquer problema, é preciso cortar a raiz dele. Muitos empresários misturam suas contas pessoais com as contas profissionais e depois não conseguem identificar onde está o furo… mas a causa está aí. A empresa só deve pagar contas da empresa, e o empresário deve ter sua retirada por meio de pró-labore uma vez por mês e usar esse dinheiro para pagar as contas.
Esse é o correto.
3) Conheça bem as finanças
Não tem como resolver um problema financeiro sem conhecer o detalhe dos números não é verdade?
Se for preciso, contrate uma empresa de gestão financeira, ou um consultor, para lhe ajudar e orientar sobre o assunto.
Quebras de safra e altos custos das empresas do agro
Apesar do agronegócio apresentar um bom desempenho, tem crescido o número de empresas que buscam reestruturar as dívidas.
Mas os números, por enquanto, são discretos.
De 2020 para cá, foram cerca de 50 pedidos de recuperação judicial nesse setor, e segundo especialistas é apenas a ponta de um iceberg.
Isso porque nesse ano está sendo observado um grande crescimento da procura por reestruturação e isso logo logo vai refletir no levantamento.
Mesmo os produtores rurais pessoas físicas estão pedindo proteção da justiça para negociar débitos.
Sabemos que a pandemia afetou a todos, mas segundo especialistas, a pressão dos custos também segue elevada.
Muitos credores estão executando as dívidas de produtores rurais e isso deve acelerar os pedidos de recuperação judicial.
Especialistas em recuperação judicial, como a Flores Recuperação confirmam a alta da procura.
A visão é que o produtor rural está se sentindo estrangulado pelo vencimento das operações de crédito, e com a queda da safra, houve um aumento na procura de empresas querendo recuperar os créditos em atraso.
Com uma estrutura de gestão muitas vezes inadequada, os produtores agrícolas também foram atingidos pela alta repentina dos juros, que saiu de 2% a 13,75% e a realidade é que muitos agricultores não têm preparo para tratativas junto ao mercado financeiro.
O agronegócio continua sendo um dos principais setores da economia brasileira e o país sempre se destacou como um dos grandes produtores de commodities agrícolas e produtos alimentares que são exportados para o mundo inteiro, mesmo em momentos de crise.
Dados recentes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada também mostram a relevância do agro para a composição do PIB nacional.
A variedade de empresas desse tipo é muito grande, e dá ao investidor um bom poder de escolha. Investidores da bolsa de valores, por exemplo, garantem que ao aplicar dinheiro em empresas alimentícias e ações do agronegócio, o investidor diversifica a carteira e acaba investindo em um setor essencial para a economia e para as pessoas.
O Brasil é um histórico e forte produtor agrário, e assim, podemos concluir que as terras nacionais não são somente boas, mas também produtivas e eficientes, o que aumenta o poder de competição do país em nível internacional
Como negociar as dívidas da minha empresa?
O empreendedor precisa desenvolver o processo de renegociação de dívidas, e para isso é preciso que ele seja transparente, comunicativo e faça uma parceria com os credores.
Transparência porque o empreendedor deve assumir compromissos que ele possa pagar, e jamais contratar um fornecedor com essa dúvida.
É importante se comunicar com os fornecedores, informando sobre qual é a situação atual da empresa e deixá-los a par de como você está buscando as devidas soluções.
Siga essas dicas, que certamente a situação da sua empresa terá grande probabilidade de sair do vermelho!